Submarino.com.br
Retrato do Artista Quando Tolo Rotating Header Image

A Mulher Sem Face, e o Retalhador… Histórias de Abril

Para comemorar o dia da Mentira, resolvi dedicar este post para contar duas historinhas reais. Bom mais ou menos. Na verdade, são duas historinhas sobre o que acontece quando o mundo real trombra de frente com o mundo da imaginação.

***

Desde 1993, a Alemanha era assombrada por aquele que talvez fosse a mais eficiente e prolífica assassina serial da Europa. Chamada de “Mulher Sem Face” ou de “A Fantasma de Heilbronn”, sua presença malévola tinha sido identificada pela primeira vez em maio daquele ano, quando seu DNA foi encontrado na casa de uma idosa de 62 anos. A situação teria passado despercibida até 2007, quando o DNA da Fantasma foi localizado novamente na cidade alemã de Heilbronn, na cana do assassinato de uma policial. Investigações mais detalhadas revelaram que o código genético da misterioso assassina também estava presente na cena de assassinato de um outro idoso, na cidade de Freiburg, em uma seringa de heroína achada no mato, na cidade de Gerolstein, em uma cena de roubo em Saarbrücken, em um roubo de carro na Aústria. Em 2008 a Fantasma de Heilbronn varia outra vítima, uma enfermeira encontrda morta no carro, na cidade de Weinberg.

A situação fugia do controle. A Fantasma de Heilbronn era um gênio do crime, um Moriarty. Praticava todo tipo de infração, em uma área que cobria todo o leste da Alemanha e partes da Aústria e França, e nunca deixava nenhum rastro além do seu traço genético… que, no entanto, nunca batia com nenhum dos suspeitos. Uma recompensa de 300 mil euros foi oferecida por sua cabeça, e uma força-tarefa especial foi montada para caçá-la.

Foi então que, na França, encontraram o DNA da Fantasma no lugar mais improvável: no corpo de um mendigo queimado, que a polícia tentava identificar. Acontece, pessoal que fugiu às aulas básicas de Genética no colégio, que homens não podem ter DNA feminino e versa e vice. Foi então que os franceses devem ter percebido em choque, e logo depois trés gargalhado às custas da tolice alemã que a Mulher Sem Face, a temida e elusiva Fantasma de Heilbronn não existia… O DNA feminino encontrado em todas aquelas cenas de crime estava nos bastões de algodão usados para fazer a coleta de material, que provavelmente tinham sido contaminados na fábrica… A fábrica que, no caso, fornecia para toda a região assombrada pela Fantasma.

Ops!

***

Esse não foi, porém, o primeiro caso de assassino serial não existente causando caos na pobre população. Lá pelos idos de 1940, caso semelhante aconteceu na cidade Halifax, na Inglaterra. Começou quando duas moradoras, Mary Gledhill e Gertrude Watts procuraram a polícia, alegando terem sido atacadas por um homem con jeitão de maníaco e portando um martelo. A história do ataque logo se espalhou pela cidade. Pessoas andavam com medo pelas ruas. Não demorou e novas vítimas surgiram, suas peles cortadas por golpes de facas, suas histórias falando do misterioso homem com um brilho insano no olhar. O medo tomou Halifax. A polícia reforçou a vigília, mas não tinha conseguido identificar traços ou localizar pistas do misterioso agressor. Pediram ajuda da Scotland Yard. Enquanto isso o comércio da cidade parou. Grupos de vigilantes se organizaram para caçar o Retalhador de Halifax por conta própria. Azar de alguns homens inocentes, que foram capturados e agredidos por esses grupos… E, enquanto isso, as cidades vizinhas começavam a reportar ataques do Retalhador em suas próprias vizinhanças. O pânico se espalhava. Terror, horror, confusão tomaram acidade por toda última semana de novembro!

E, daí, em 2 de dezembro, todo mundo se tocou que o Retalhador de Halifax não existia.

A espiral crescente de pavor que aconteceu em Halifax é um exemplo perfeito de como se dá um processo de histeria em massa. Houve um incidente real, de pequenas proporções, que foi o ataque contra Gledhill e Watts. A história se espalhou, e, cinco dias depois, quando Mary Suttcliffe sofreu um ataque, foi criada uma ilação entre dois eventos isolados que não existia. Daí pra loucura geral, foi só descer o barranco: pessoas comuns passaram a ver o ataque do Retalhador de Halifax em qualquer lugar… até em rasgos descobertos nas roupas que, em outras circunstâncias, teriam sidoa tribuídos à acidentes ordinários. E as pessoas não-tão comuns, essas ajudaram a apagar o fogo com gasolina, fazendo cortes em si mesmos para ganhar alguma notoriedade, ou só para poder participar da grande história grupal que era construída dia-a-dia, no sensacionalismo dos jornais e nas pequenas mentiras e neuroses de cada um.

Bobos esses ingleses, não? Mas fenômenos assim são bem mais frequentes do que se imagina. De cabeçada, eu me lembro da histeria contra abuso infantil praticado por cultos satânicos nos Estados Unidos na década de 80-90 (nunca houve sequer um único caso comprovado), ou do Bunny Man, que assombra a cidade de Fairfax, no mesmo país… uma lenda que cresceu a partir de um caso real de agressão e vandalismo, que se transformou em uma lenda sobre um assassino sanguinário vestido de coelho que mutila as pessoas por aí. E não pense que isso é só coisa de gringo: no Brasil nós tivemos a longa histeria envolvendo o Chupacabra (de repente, ataque de jaguatirica era mistério insolúvel) pra não mencionar a completa paralisação da cidade de São Paulo na ocasião dos ataques do PCC (que na realidade foram bem mais limitados em escopo do que a imprensa e o desespero de uma classe média em constante medo, fez parecer).

Em algum lugar o Retalhador de Halifax está tomando chá ao lado do Demônio de Jersey, do Spring-Heeled Jack, do ET de Varginha e do Homem-Mariposa, e estão rindo de nós. Ou não. Ironicamente, na década de 70, um assassino serial de verdade, Peter Sutcliffe, foi responsável por 13 homicídios na região de Yorkshire. Um deles foi em Halifax.

6 Comentários on “A Mulher Sem Face, e o Retalhador… Histórias de Abril”

  1. #1 Fique por dentro Artista » Blog Archive » A Mulher Sem Face, e o Retalhador… Histórias de Abril – Retrato do …
    on Apr 2nd, 2009 at 7:16 am

    [...] dedicar este post para contar duas historinhas reais. Bom mais ou menos. … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

  2. #2 Miss Mulder
    on Apr 2nd, 2009 at 1:11 pm

    Medo.

  3. #3 Mulher Sem face
    on May 14th, 2009 at 10:03 pm

    Homens tem DNA feminino esta no cromossomo X, e também no DNA mitocondrial mtDNA…

  4. #4 Felipe
    on May 15th, 2009 at 1:10 am

    Muher sem Face, você tem razão. Eu estava simplificando as coisas.

    O que eu quis dizer é que homens não podem ter dois cromossomos X em seu código genético, porque isso é um determinante do sexo feminino. A esse pareamento de cromossomos eu chamei de “DNA feminino” o que, apesar de soar bem, reconheço que é cientificamente inacurado. O teor da história, porém, permanece o mesmo: o DNA encontrado no mendigo não podia ser de um homem, e dessa forma descobriu-se a inexistência do Fantama de Heilbron.

    Valeu pelo toque.

  5. #5 felipe
    on Jan 23rd, 2010 at 12:27 pm

    a entao a mulher sem face era um algodao que matava as pessoas
    mais tem outra e dificil saber ne se essa mulher sem face era um algodao ou um homem sinceramwnte num entendi nada

  6. #6 karol
    on Aug 24th, 2011 at 10:42 am

    que medo

Deixe um comentário