Em outubro de 2001, a jovem Aline Silveira Soares saiu de Guarapari, no interior do Espírito Santo para a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Com apenas a roupa do corpo e alguns trocados no bolso, seu objetivo não era visitar as esculturas de Aleijadinho ou passear pela arquitetura colonial considerada pela UNESCO como um dos patrimônios da humanidade. Além de ser o mais belo monumento ao ciclo do ouro colonial, Ouro Preto também é uma cidade universitária, sede da Universidade Federal de Ouro Preto e coalhada de repúblicas estudantis, muitas delas com décadas de existência e tradições. Uma dessas tradições é a Festa Do Doze, que em todo 12 de outubro reúne alunos e ex-alunos da UFOP para beber e curtir nas repúblicas e ruas da cidade. Era para essa festa que Aline seguia, acompanhada apenas de uma amiga, Liliane, e sua prima Camila Dolabella.
8 anos depois, em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella entrou na sala do júri do Fórum de Ouro Preto para ser interrogada. Após ter amargado quase um ano na prisão, em 2005, e ter visto dois habeas corpus serem negados, Camila finalmente estava sendo julgada pela acusação de homicídio qualificado. A vítima seria sua prima Aline, que segundo a promotoria, teria sido assassinada por Camila, Edson Poloni Aguiar, Cassiano Inácio Garcia e Maicon Fernandes, todos os moradores da república Sonata, onde as jovens se hospedaram para a Festa. A causa do crime seria um jogo de RPG, que Aline teria perdido, sendo punida com a morte… mais especificamente uma morte ritual, de acordo com preceitos satânicos.
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O Caso de Ouro Preto está fadado a fazer parte dos anais do direito no Brasil. Não só pela violência do assassinato: Aline Silveira foi descoberta na manhã de 14 de outubro morta, nua, sobre um túmulo no cemitério Nossa Senhora das Mercês, com 17 facadas no corpo. A causa da morte seria engorjamento, uma facada fatal no pescoço. Mas o que se destaca é a completa incompetência, ignorância, má fé e os abusos perpetrados por aqueles que deveriam ser os fiadores da justiça no caso: o Ministério Público e a polícia de Ouro Preto.
Desde o começo a marca da investigação em Ouro Preto foi a combinação de inépcia e sensacionalismo. O caso caiu nas mãos do delegado Adauto Corrêa, na época sendo investigado por atentado violento ao pudor e coerção no curso de processo. Corrêa, este exemplar da probidade administrativa, não demorou para arranjar suspeitos para o crime. Logo arrolou como acusados em seu inquérito a prima de Aline e três jovens estudantes da república onde ela tinha ficado temporariamente hospedada. Em uma inovação do procedimento policial normal, o principal elemento incriminatório apontado pelo delegado não era a arma do crime, mas sim livros e postêres encontrados na república Sonata. Incluindo aí livros de RPG.
O RPG, ou role-playing game, foi inventado em 1974, nos Estados Unidos. Uma evolução dos então populares jogos de estratégia de tabuleiro, o RPG basicamente consiste de um grupo de jogadores que, trabalhando em conjunto e usando regras de jogo pré-definidas, tenta superar desafios propostos por um Mestre, responsável por narrar a história e organizar cada sessão de jogo. Com sua popularização, o jogo passou dar cada vez maior ênfase a interpretação, diminuindo o foco na estratégia e privilegiando o desenvolvimento de personagens. Uma das características principais do RPG é seu caráter cooperativo: os jogadores e o Mestre devem trabalhar em conjunto para criar uma boa história e garantir a diversão de todos. RPG não é competitivo, o que o tornou um jogo ideal para ser aplicado em processos educacionais em todo mundo. RPG também não é um jogo possível de se “perder” (uma vez que não há competição) e tampouco possui laços com satanismo.
Nenhum desses fatos importou para o delegado Adauto Corrêa. Desconhecendo os fundamentos do jogo de RPG, movido por intolerância cega e, talvez pressionado para apresentar resultados o mais rápido e espalhafotosamente possível (afinal de contas, até outro dia o principal réu nas páginas policiais era ele próprio) Corrêa decidiu que Camila, Edson, Cassiano e Maicon eram os responsáveis pelo crime. Corrêa estava suficientemente seguro de sua conclusão para poder se dar ao luxo de passar por cima e deixar de lado toda uma série de evidências, investigações e exames que seriam necessários para propriamente determinar o responsável pelo assassinato de Aline.
Corrêa, por exemplo, não levou em consideração o fato de que Aline mal tinha tido contato com Edson, Maicon e Cassiano. Apesar de estar hospedada na república deles, todos testemunhos concordavam que ela só dormia por ali, passando a maior parte do tempo pela cidade ou em festas em outra república, a Necrotério. Lá, testemunhas afirmaram que Aline passou tempo, isso sim, aos beijos com Fabrício Gomes, na época mal-afamado na cidade por um suposto envolvimento com o tráfico de drogas. Mais ainda, Fabrício Gomes e Aline Silveira teriam sido vistos em frente ao cemitério onde a jovem seria encontrada assassinada na manhã seguinte. Quando Camila Dolabella alertou o delegado Adauto Corrêa sobre o ocorrido, adicionando que Fabrício teria sido visto no dia seguinte à morte de Aline vestindo uma camiseta manchada de sangue, a resposta não foi promissora. Corrêa simplesmente anunciou que não queria saber de mais detalhes, pois ele já sabia quem eram os culpados.
Aline Silveira Soares foi localizada nua, com os braços abertos e pernas cruzadas, ao lado de roupas cuidadosamente arrumadas no chão, entre elas uma blusa coberta de esperma. O corpo tinha sido propositadamente arranjado dessa forma, fato evidenciado por uma trilha de sangue no local. Analíses toxicológicas revelavam traços de maconha no sangue da vítima. A investigação sob o comando de Adauto Corrêa não encontrou digitais dos suspeitos no local ou na arma do crime, econtrada próxima ao corpo. Também não comparou o esperma encontrado em Aline com o dos acusados. Na verdade isso seria impossível, uma vez que os policiais negligenciaram a coleta de material genético antes que ele fosse contaminado ou se deteriorasse. Tampouco foram localizadas drogas na posse dos acusados ou na república Sonata. Mas nada disso importava ao delegado Adauto Corrêa. Ele podia se dar ao luxo de desprezar evidências materiais e os testemunhos que contradiziam sua teoria. Afinal de contas, seu faro investigativo encontrava provas contra os quatro acusados em vários elementos considerados corriqueiros por um olhar não treinado. O fato de que Maicon Cassiano chegara a república Sonata naquela noite sem camisa, era evidência clara de que ele estaria fantasiado como um personagem de RPG. E, logo, era assassino. Embora não houvesse nada que indicasse que os acusados tinham passado pelo cemitério das mercês naquela noite, objetos tinham sido encontrados no local que poderiam ter servido num ritual. E se tinha havido ritual, os acusados tinham participado, afinal, para o delegado, eram todos obviamente satanistas. Outro elemento contundente contra os réus foi o fato de que eles terem limpado a república durante o curso investigação. Ignore-se que isso ocorreu quase uma semana após o crime, e que a polícia não tinha dado nenhuma instrução para que nada fosse alterado no local, apesar dos réus terem perguntado já nas primeiras horas do desaparecimento de Aline se deveriam preservar tudo intocado na república. Mas esse era justamente um exemplo do elemento mais incriminador de todos: o interesse dos jovens em desvendar o assassinato e ajudar a polícia só podia ser outra prova gritante de sua culpa. Como o delegado Adauto Corrêa sabia, criminosos sempre tentam agir como inocentes para despistar a polícia. Como o comportamento de Camila, Edson, Maicon e Cassiano denunciava a mais completa inocência, eles só poderiam ser culpados. Todos os quatro, apesar de que o laudo técnico deixava claro que as facadas em Aline tinham sido feitas por uma única pessoa.
A lógica tortuosa, irresponsável e perversa de Adauto Corrêa não avançou sem problemas. Após concluída a investigação, que indiciava os quatro jovens pelo assassinato, o caso chegou às mãos do promotor Edvaldo Pereira Júnior, que reconheceu prontamente a impossibilidade de dar seguimento aquele processo. Baseado em suposições, preconceitos e tentativas descabidas de fazer os fatos se conformarem à teoria (das mais mirabolantes), Pereira Júnior condicionou o seguimento do caso à realização de 17 diligências, que providenciassem alguma prova cabal, ou ao menos aceitável, sobre a culpa dos réus ou a identidade do assassino de Aline. Adauto Corrêa não realizou nenhuma dessas diligências, dando o caso por encerrado. Pereira Júnior tentou recorrer à Secretaria de Segurança Pública para afastar o delegado de seu cargo. Enquanto isso políticos oportunistas aproveitavam o caso para se promover, agitando a opinião pública e alimentando a indignação com boas doses de desinformação e mentiras. Um vereador chamado Bentinho Duarte passou uma lei proibindo o RPG em Ouro Preto. O promotor Fernando Martins iniciou processo contra as editoras Devir Livraria e Daemon tentando proibir a publicação de livros citados na investigação do caso. A mídia convencional se absteve de realizar qualquer trabalho jornalístico digno do nome e, seguindo a linha Fordiana de que se o factoide é melhor que o fato publica-se o factoide, deu ampla publicidade à teoria barroca de Corrêa, ao mesmo tempo que desprezava as hipóteses contraditórias. Apesar de se referirem aos réus como “suspeitos” ao invés de “assassinos”, o esforço de “imparcialidade” dos jornalões nunca atacou diretamente as óbvias irregularidades da investigação do caso nem contestou o caráter delirante da acusação. Enquanto isso, os quatro réus tentavam levar suas vidas, marcados pelo estigma de serem suspeitos de homicídio. Edson foi ameaçado de morte e trancou a faculdade. Maicon e Cassiano permanecerem em Ouro Preto, apesar da constante antagonização e assédio por parte de moradores da cidade. Camila retornou para Guarapari, onde passou a ser hostilizada pela família. Órfã de mãe, ela contou apenas com o apoio do pai durante todo o processo.
Em 2004, após três anos em que o caso esteve parado, ele saiu das mãos de Edvaldo Pereira Júnior e passou para a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca. Diferente de Pereira Júnior, que tinha se recusado a denunciar um processo tão eivado de inconsistências e sandices, Trócilo da Fonseca decidiu dar continuidade ao caso. Em 2005, Camila Dolabella e Edson Poloni foram presos. Quatro anos tinham se passado desde a morte de Aline, e nenhum dos acusados tinha apresentado qualquer atitude desabonadora até então. Edson saiu da cadeia após seis dias, sob efeito de uma liminar, mas Camila passou a maior parte daquele ano na detenção. Foi só quando o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça que a pena de prisão dos réus foi considerada descabida e lhes foi dado o direito de aguardarem o julgamento me liberdade, apesar das alegações do Ministério Público mineiro de que se tratavam de “contumazes jogadores de RPG, em todas suas modalidades“. Note que, até então, continuavam inexistentes qualquer evidência concreta de responsabilidade dos réus no assassinato de Aline Silveira. Eles estavam sendo presos e acusados por que tinham lido livros.
O caso permaneceu fora da mídia por alguns anos. Enquanto os réus tocavam a vida, a promotoria construía o caso e se preparava para o julgamento. Em 2006 a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca encontrou tempo para mandar apreender todas as edições de número 09 da revista Observatório Social, que denunciava na capa o uso de trabalho infantil nas mineradoras de Ouro Preto. A promotora se preocupava que as fotos expunham as pobres crianças, e afetavam negativamente a boa imagem da região… Mas, enfim. Em 2008 foi decidido que o caso de Aline Silveira seria levado à júri popular. Em 3 de julho de 2009, Camila Dolabella, Edson Poloni Lobo de Aguiar, Cassiano Inácio Gracia e Maicon Fernandes foram finalmente julgados pela acusação de homicídio qualificado. Na falta de prova contundente contra eles, a acusação optou por lançar novo ineditismo jurídico no direito brasileiro, ao sustentar que “o álibi dos réus era fraco”. Ou seja, não cabia à promotoria provar que eles tinham matado Aline Silveira. Eram os quatro estudantes que deveriam mostrar que não tinham cometido assassinato, ou serem presos. Contra eles pesavam diversas evidências “incriminadoras”: seus gostos musicais, cinematográficos, o jeito como se vestiam e seus hobbies. Em 5 de julho de 2009, o júri os declarou inocentes.
Não se tratou aqui apenas da óbvia falta de qualquer prova contra eles. O decisão final dos sete jurados foi de que, efetivamente, os quatro réus “não concorreram, de qualquer forma, para prática do crime”. Os jovens que tinham passado quase uma década sendo coagidos, assediados, ameaçados, difamados e perseguidos não eram os assassinos de Aline Silveira Soares.
Teorias sobre o que realmente aconteceu não faltam, e já circulavam desde os primeiros dias do caso. A mais verossímel é de que Aline teria se envolvido com uma negociação de drogas, durante a Festa dos Doze, e, sem dinheiro, teria concordado em manter relações sexuais como pagamento. Não há indícios de violência sexual em seu corpo, o que demonstra a consensualidade do ato, comprovado pela perícia necrológica. Como a primeira facada em Aline foi em suas costas, tudo indica de que ela foi atraiçoada pelo seu parceiro de negócios. Este permanece solto e impune.
Os interesses escusos, a ignorância e o preconceito é que são os verdadeiros criminosos no caso de Ouro Preto. Foram eles que permitiram que por uma década quatro jovens inocentes fossem perseguidos injustamente, sendo até mesmo privados de liberdade e forçados a fazer inúmeros e pesados sacrifícios pessoais. Foram eles que deram ao verdadeiro assassino de Aline Silveira, um homem brutal e cruel, um passe livre para permanecer à solta. Em uma sanha cega e irresponsável de achar um culpado a justiça de Ouro Preto falhou miseravelmente, e duas vezes: não puniu o culpado e vitimou mais inocentes. Esse tipo de atitude, ignorando procedimentos básicos do processo legal, atropelando direitos civis e apelando para o ódio e a intolerância como elementos de incriminação, não é compatível com o Estado de Direito. Eu não contei essa história aqui hoje para inocentar Camila, Edson, Cassiano e Máicon. Coube ao tribunal do júri fazer isso. Mas para tomar a atitude digna e necessária de todo cidadão: exigir a imediata investigação e punição dos responsáveis pelo caso do assassinato de Aline Silveira Soares. Sua irresponsabilidade e malícia, sua truculência e abuso de poder não podem, nem devem ser perdoadas, nem as sérias acusações de acobertamento dos verdadeiros responsáveis devem ser relevadas. Isso não pode ser permitido.
Os inocentes estão, enfim, livres. É mais que hora de punir os culpados.
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Incluo link para entrevista com Edson Lobo e Cassiano Araújo:
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=111829
Mais detalhes do caso:
http://www.ouropreto.com.br/noticias/detalhe.php?idnoticia=2015
http://www.ouropreto.com.br/noticias/detalhe.php?idnoticia=2018
http://www.ouropreto.com.br/noticias/detalhe.php?idnoticia=2019






on Jul 7th, 2009 at 3:33 pm
[...] um casal nérdico RPG Con!!6 julho 2009, por Maíra, às 23:19Nada melhor do que o julgamento de Ouro Preto coincidir com o 1º RPG Con. RPG inocentado no julgamento + evento de RPG com o clima mais alto [...]
on Jul 7th, 2009 at 4:37 pm
Texto definitivo.
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on Jul 7th, 2009 at 4:39 pm
[...] http://felipedeamorim.opsblog.org/2009/07/07/o-caso-de-ouro-preto-incompetencia-e-preconceito/ [...]
on Jul 7th, 2009 at 5:02 pm
Maravilhoso o artigo. Absurda a forma como o caso foi conduzido pela polícia e pela justiça. Caótica a cobertura feita pela imprensa. Não é a primeira vez que o RPG é associado a crimes sem que haja fundamento para isso. Mas o pior é ver as vidas destes jovens arrbentadas desta forma.
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 5:04 pm
Talvez o delegado seria amiguinho do tal de Fabrício Gomes.
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 6:08 pm
Tipo, PUTAQUEPARIU é bem triste pensar que as coisas foram assim.
Um bando de despreparados!
qualquer série de TV mostra que a investigação deve acontecer primeiro no local do crime, coletando provas.
Que merda isso.
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 6:43 pm
Para mim, que cobri o caso de muito perto o texto está perfeito.
Lembro-me de um dia ter ido à delegacia para apresentar um depoimento ao delegado Adauto Corrêa a respeito de uma fita cassete e uma frase escritas no muro da república Sonata (elas as estavam usando como “prova do crime”, sendo que eu tinha explicações claras sobre o absurdo que era utilizar tais artifícios como indícios). A frase que ouvi dele foi: “Você não vai estragar minha tese. Eu já tenho os culpados e pronto.”
Abraços.
PS: quem chegou em casa sem camisa foi o Cassiano, não o Maicon.
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angel Reply:
July 8th, 2009 at 3:00 pm
Gostaria de saber o que você sabe de concreto sobre o caso.Desde o crime busco informações mas sem poder analisar o inquerito fica difícil.Quem era Aline?Quem era Fabrício?Onde ele está agora?
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on Jul 7th, 2009 at 7:32 pm
Que terror. Acho que é o caso de colocar esse delegado na cadeia.
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 7:34 pm
vixi… acho q isso ainda vai feder muito!!!
uma hipótese a ser especulada:
quem matou a garota tem negócios obscuros com os “homi” que por sua vez, logo arrumou uns “curpados” pro assassinato.
hipoteticamente falando, é claro!
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 7:39 pm
Os verdadeiros criminosos são o assassino de Aline e seus cúmplices e esses devem ser revelados. A barbárie jurídica desse delegado e dessa promotora é assombrosa. Bravo pelo texto, bravíssimo. A imagem de Minas Gerais como terra de ninguém é terrível e esse tipo de denúncia, muito importante. Espero sinceramente que esses quatro cidadãos acionem o Estado em busca de reparação; que acionem civil e também administrativamente. E também ao MP estadual, contra essa promotora. Aliás, o estado e os comensais midiáticos que adoram ser cúmplices desse tipo de barbárie.
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on Jul 7th, 2009 at 7:42 pm
Constantando o que o preconceito, a ignorância e a incompetência fizeram com estas quatro vitimas, por causa de um jogo de RPG, me apavora avaliar a possibilidade do que vem por ai.
Digo isto porque a nossa PIG (Partido da Imprensa Golpista) vem demonizando a web à passos largos, e faz todo mundo acreditar que a Internet é um antro de criminosos.
Imagino que qualquer caso criminal baseado na Internet, seja por si só um potencial criador de casos como este baseado no preconceito, na ignorância e na incompetência. Por esta razão devemos brigar por leis que garantam nossos direitos civis na Internet, inclusive nos dando o direito de desmentir a midia, usando-a para isto. Se aprovado o AI5 digital, podemos dizer que milhares de casos como este acontecerão.
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on Jul 7th, 2009 at 7:45 pm
Parabéns pelo texto em primeiro lugar. Essa é uma das histórias mais impressionantes que eu já li na minha vida em matéria de injustiça. Muito triste mesmo e enfurecedor. Espero que o tal delegado pague de alguma forma.
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 7:54 pm
Esse delegado tem culpa no cartório hein? Vai saber se ele também não comeu a menina, e resolveu matá-la junto com o tal Fabrício? Ué, se ele pode acusar qualquer. Pq não pode ser acusado?
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 8:07 pm
Parabéns pelo texto, é imprescindível que esse caso não caia no esquecimento e que fique clara a corrente de incompetência que se formou para condenar de forma antecipada esses jovens. Corrente que envolve a polícia, o ministério público e a imprensa, todos ávidos por holofotes. Ninguém vai fazer mea culpa? Resta aos inocentes abrirem uma série de processos pedindo indenização pelo que passaram, embora nenhuma reparação financeira possa ser suficiente nesse caso. Quantas escolas-base teremos ainda no Brasil?
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 8:08 pm
Sem falar no inferno que virou na epoca ser jogador de RPG, jogo RPG desde os nove anos de idade, na época tinha 17 anos, e tive que ficar explicando a todos que Role Play Game, ou jogo de interpretações, não poderia ter ocasinado aquilo, no colégio tinha pessoas que começaram a falar mal de mim pelo fato de que eu jogava RPG.
Muito bom o texto.
Vou tentar o link o maximo que eu puder.
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 8:18 pm
me limito a repetir as palavras da Danielle: “texto definitivo”!
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 8:19 pm
Definitivo.
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 8:24 pm
O verdadeiro culpado não foi responsabilizado e quatro jovens inocentes foram crucificados injustamente,o trauma a que eles foram submetidos nunca será apagado,mas eles devem requisitar uma reparação do Estado.
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 9:51 pm
Terrível, eles devem, como disse a Carolina, entrar com uma ação de indenização contra o Estado em litisconsórcio com esse delegado, para ele sentir no bolso, uma vez que ninguém acredita em corregedoria de Polícia. Tb se possível representar no CNMP contra a promotora, não vai dar em nada, mas serve como advertência.
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 10:30 pm
É de dar nojo.
Mas foi feita Justiça com os jovens.
Pagaram caro pela incompetência, negligência e crueldade de agentes burocratas e imprensa sensacionalista.
Será que nunca vamos aprender nada?
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 11:07 pm
[...] Inspirado pelo absurdo caso da neglig
on Jul 7th, 2009 at 11:32 pm
Filipe, eu ainda morava em OP essa época e estava presente durante essa festa do doze, me lembro de tudo como se fosse hoje…
É lamentável como profissionais da justiça, que deveriam zelar pela segurança dos cidadãos brasileiros façam esse tipo de mazela!
Acho que temos que exigir que o caso não seja arquivado, ainda é possível encontrar a verdade, é possível encontrar o assassino!
NÃO PODEMOS NOS CALAR!
ESTOU INDIGNADA, CONTINUO INDIGNADA!!!!
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 11:43 pm
Parabéns pelo ótimo texto! Cheguei a você via Idelber. Já tinha até esquecido do caso, mas a impressão que passaram na época era de ligação óbvia dos acusados com o crime, como se houvesse provas e tudo o mais…Esse é só mais um exemplo da preguiça e incompetência da imprensa brasileira, sem falar no malcaratismo de delegados e promotores que se acham acima da lei, esses frustrados heróis de seriado de TV. Fico pensando no que os caras passaram durante todos esses anos por culpa deles. É revoltante.
[Reply]
on Jul 7th, 2009 at 11:47 pm
Excelente texto!
Me lembro que nessa época, todas as empresas de BH que vendiam RPG sofreram duras perdas por causa do ocorrido.
Os réus e o RPG foram punidos enquanto o assassino, o delegado incompetente e os jornalistas mentirosos vão continuar impunes. A Globo fez alarde durante todo o julgamento, mas não se incomodou em mostrar o desfecho.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 12:04 am
Agradeço o apoio de todos. Sugiro que, além de manifestarema qui sua indignação e revolta, façam o mesmo escrevendo para os jornais e veículos que noticiaram o caso, dando voz ao projeto de acobertamento do delegado Adauto: Folha de S. Paulo, Estado de São Paulo, Globo, Estado de Minas.
Também aproveito para parabenizar Fernanda Lizardo, pela sua postura corajosa e íntegra. E recomendo duas leituras:
- A matéria de Cynthia Semíramis no Observatório de Imprensa, que desmistifica com lucidez e clareza as acusações contra o jogo de RPG: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=311FDS002
- E o depoimento do pai de Edson Lobo, que pode ser encontrado nos comentários do blog D3 System: http://d3system.com.br/caso-de-ouro-preto-resultado-final/comment-page-1/#comment-2779
Continuo de olho no caso. Qualquer informação que vocês tiverem, sintam-se livres para postar aqui ou enviar ao meu email: felipedeamorim arroba gmail ponto com.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 12:05 am
[...] Felipe de Amorim - O Caso de Ouro Preto - Incompetência e Preconceito [...]
on Jul 8th, 2009 at 12:31 am
Muito bom texto, parabéns!
Lamentável como nossa imprensa de merda mineira (leia-se: Estado de Minas e Globo Minas) comprou essa versão descabida do delegado sem jamais questionar nada.
Imagino quantos inocentes estão mofando na cadeia por conta de delegados que querem aparecer com a cumplicidade de repórteres policiais que viram “amigões do delegado”…
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 1:01 am
Muito bom o texto, bastante elucidativo como você mesmo disse a mídia ignorou totalmente os fatos e por isso a população não os conhecia. Nunca acreditei que pessoas normais teriam feito aquilo simplesmente por causa de um jogo de RPG (já joguei muito). Mais um caso em que inocentes pagam pela ineficiência de profissionais da justiça, a promotora Luíza Helena Trócilo Fonseca nunca me passou credibilidade, toda vez que ela apareceu na tv percebi certa dose de insegurança, eu realmente estava certo. Ela possivelmente não fazia a mínima noção do que estava fazendo ali.
Agora só resta esperar que o ministério publico abra um processo contra o delegado, a promotora e o Estado, eles merecem no mínimo perder seus cargos e serem presos pelo mesmo tempo que os quatro jovem e devem também pagar uma bela indenização.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 1:59 am
Pra ser sincero, não estou tão certo do quanto a promotora Trócilo Fonseca deva ser responsabilizada. Após o término do julgamento ela declarou que iniciaria investigações sobre o delegado Corrêa. Mas é possível que ela esteja só querendo salvar a própria cabeça.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 2:07 am
E imaginar que o Supremo Gilmar Mendes possue a mesma característica da promotora Luiza Helena Troço. Infelizmente Bruzundanga é desse jeito; acolchoado no mediocre, duma exemplaridade incapaz.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 2:47 am
Parabens pelo texto. É disso que a sociedade precisa. Retuitando!
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 2:51 am
[...] twitte do Dr. careca eu encontri esse link de um blog onde os fatos apontados na carta aberta estão apresentados com muito mais detalhes, se [...]
on Jul 8th, 2009 at 6:31 am
Interessante esse texto de uma lida .
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 8:25 am
Nossa, estes fatos sobre haver outro suspeito do assassinato nem chegou aos meus ouvidos (sou do interior de São Paulo e era devia ter uns 12 anos quando a imprensa noticiou erroneamente o fato).
Esse texto esclareceu muito bem os fatos pra mim! Obrigado!
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 8:51 am
[...] Retrato do Artista Quando Tolo [...]
on Jul 8th, 2009 at 9:00 am
[...] ↓. Home · About. Retrato do Artista Quando Tolo Rotating Header Image … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
on Jul 8th, 2009 at 10:12 am
Leitura obrigatória para qualquer cidadão brasileiro.
Obrigado, Felipe, por condensar todos os fatos e, mesmo que não de todo imparcial, apresentar de forma tão clara os absurdos deste caso. Divulgarei teu texto e espero que nossas vozes possam se somar, em busca de um fim definitivo para esta história.
“Texto Definitivo”.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 11:52 am
Estou perplexa! é indignante saber que pessoas que estudam tanto para ocupar elevados cargos do serviço público se esquecem de agir com inteligência, se esquecem de aplicar tudo que viveram no afã de promoverem suas “carreiras públicas” o desrespeito a tudo aquilo que prometeram zelar: a vida, a liberdade, o direito! Lamentável, deveriam pagar dos seus próprios bolsos gordos uma indenização por tudo que esses jovens e suas famílias passaram!
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 1:13 pm
[...] mostrou absolutamente sem provas e baseada em preconceitos com os meninos. A história toda está muito bem narrada no blog do Felipe Amorim. E um discussão muito boa sobre o papel da imprensa segue no Idelber Avelar. [...]
on Jul 8th, 2009 at 1:24 pm
É horrível ver o que a incompetência de alguém com fé-pública como um delegado, que deveria ser considerado inapto para a investigação por ja estar sendo investigado por algo bem sério como no caso de Adauto Corrêa, pode fazer. Isso é pra mim nada mais que DISCRIMINAÇÃO, AUTO-PROMOÇÃO e uma boa maneira de DESVIAR A ATENÇÃO PÚBLICA DE UMA IMAGEM PODRE DO REAL CARÁTER DO DELEGADO ADAUTO CORRÊA.
Eqto isso o verdadeiro assassino deve ficar rindo na frente da TV, JORNAIS e qquer outra mídia. Andando livre e eqto vê 4 pessoas sofrerem por ele por uma década. Para esse eu deixo um recado e uma praga: QUE TU SOFRA 4 x 9 ANOS de tua VIDA MISERÁVELMENTE e ENTÃO MORRA.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 1:43 pm
Enviei seu texto para o CQC para quem sabe, com a pressão da mídia, a justiça não acelere o caso e puna os verdadeiros criminosos dessa história.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 1:48 pm
O problema maior é o fato que esse caso é apenas um que o excelentíssimo Adauto Corrêa encerrou, quantos outros inocentes o delegado não colocou na cadeia para auto promoção.
É fato importante que exista uma corregedoria em cima dele para que demais atrocidades não volte a acontecer, e quem sabe ele não resolva entregar o verdadeiro culpado que agredito que seja um protegido seu.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 2:23 pm
Muito interessante o texto e muito intrigante a história.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 3:23 pm
[...] Link 4 – Esse aqui diz tudo sobre o caso, preciso nem mais falar nada sobre… [...]
on Jul 8th, 2009 at 3:52 pm
Eu acompanhei somente pela televisão esse caso.
E não fazia idéia de que tinha ocorrido tudo isso, e ainda mais dessa forma.
E estou muito surpreso com isso tudo, mais um caso onde o preconceito causa novas vitimas.
Muito obrigado pelo texto e pela explicação.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 4:29 pm
Ignorancia e incopetência geram casos absurdos.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 4:49 pm
Fantástico texto. É extremamente lamentável essa história.
abs
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 6:04 pm
Primeiro parabéns pelo texto.
Segundo me desculpe o palavreado mas, o que esse delegado fez foi pega um monte de m%$#@ e jogar no ventilador para cobrir o próprio rastro.
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 6:35 pm
Nossa, Felipe, cheguei até aqui pela indicação do Viomundo sobre o post do Idelber, lá no Biscoito, cliquei no seu texto…Tô pas-sa-da com essa história! Já envei para todos da minha lista. Abs, Cátia
[Reply]
on Jul 8th, 2009 at 7:49 pm
[...] que desmembram o caso e evidenciam os erros e o verdadeiro motivo dos rapazes terem sido liberados: Felipe Amorim - O Caso de Ouro Preto - Incompetência e Preconceito Taulukko- Ouro Preto e reflexão [...]
on Jul 8th, 2009 at 9:14 pm
Nossa, otimo o comentário, melhor ainda para abrir os olhos da população ignorante que não tem em quem colocar a culpa e coloca no jogo de RPG.As pessoas estão segas e só querem ver aquilo que realmente é produtivo para elas, antes de criticar o RPG melhor se informar antes.
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on Jul 8th, 2009 at 9:47 pm
Parabéns.
Triste é saber que nada vai acontecer com esse delegado.
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on Jul 8th, 2009 at 10:02 pm
Delegados e promotores como estes consolidam a idéia de que a linha do equador é mesmo o piso do banheiro do mundo.
Abaixo dele, só dejetos.
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on Jul 8th, 2009 at 11:21 pm
Um absurdo um caso como esse, li o comentário do pai de um acusado no d3system e ele dá mais informações a respeito desse delegado, que como ele diz ainda foi promovido.
Deprimente a justiça.
Parabéns pelo artigo.
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on Jul 10th, 2009 at 11:27 am
Felipe,
Belo texto, e recheado de boas informações para desmistificar o caso.
só um detalhe me incomodou ao final: quando vc expõe uma “versão verossímel” que implica em considerar a vítima uma usuária de drogas que se prostitui para ter acesso às drogas.
Não me entenda mal, SEI que não foi a sua intenção, mas esse paragrafo “desqualifica” a vítima, o que compromete um pouco o recado do texto.
Talvez rever essa passagem, se atendo à cena do crime concreta e suas evidências, sem tentar imaginar qual a situação/comportamento levaram a vítima aquele ponto, pode fortalecer o teu texto, e o recado importante que ele precisa passar.
att.,
zeh
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on Jul 10th, 2009 at 2:02 pm
Felipe,
Belo Texto. Deveria servir de exemplo para vários jornais aqui de MG que tratam o caso (A absolvição) como um absurdo… como se os “culpados” estivessem agora, em liberdade.
Parabéns pelo texto!
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on Jul 10th, 2009 at 2:27 pm
Muito bom o texto. Como em qualquer profissão, há crápulas entre jornalistas e policiais. Sinto pelos jovens inocentes e pela menina morta.
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on Jul 10th, 2009 at 3:20 pm
Zeh,
Agradeço suas apontamentos, e concordo com o teor deles.
Mas esclareço que o uso de drogas por Aline Silveira Soares é um fato, comprovado pelo laudo necrológico, assim como a prática de relação sexual consensual no cemitério. E que ela foi vista junto com um notório traficante é algo mencionado por testemunhas do crime.
Compreendo que minha explicação não pinta uma boa imagem de Aline. Mas a dura realidade é que eu apenas fez uma relação entre diversos fatos desabonadores. Me ater às evidências concretas não melhoraria a situação quanto a isso, e tornaria menos claro a ideia que eu realmente queria passar: a de que, na época da investigação, já existia uma explicação muito mais simples e óbvia para o crime.
De qualquer forma, esclareço aqui: tenha feito isso ou aquilo, não importa. Aline Silveira Soares foi vítima de um assassinato cruel e covarde. Não é ela a criminosa e não é seu comportamento que está em julgamento aqui. O criminoso é quem matou, e quem ajudou ele a escapar. São esses quem tem que ser julgados, e logo.
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on Jul 10th, 2009 at 3:23 pm
Eduardo,
Então que sirva de exemplo. Sinta-se livre para enviar o texto para eles, cobrando as devidas providências para que eles ofereçam uma cobertura decente e verdadeiramente imparcial. Afinal, é seu direito.
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on Jul 10th, 2009 at 7:18 pm
Coloco aqui um pequeno texto meu, que pretendo enviar para blogs e outras mídias. Desde já, se o blogger daqui me der a honra de colocar esse texto (com minha autoria) em seu blog, agradeço.
Eu Bato Nele, Eu Chuto Ele, e Eu Acabo de Graça com a Reputação Dele
Muito foi dito sobre o caso de Ouro Preto, que teria envolvido o “Ritual RPG” (que beleza, quero ver quando vão falar de “Ritual futebol”) e jogadores de RPG “contumazes” (Ou quem usou esse termo não sabe o que é RPG, ou não sabe o que significa “contumaz”). A mídia fez seu circo, vendeu seus 2d20 x 10000 jornais, e se divertiu à beça arrastando quatro vidas pela lama e milhares de reputações idem – enquanto o verdadeiro assassino, provavelmente um traficante (Mas ele tinha Influência 2 – filho de deputado – na ficha), saía ileso para ou traficar mais ou matar mais Alines. O fiasco levou aproximadamente 2d6+1 anos para ser desfeito (ou oito, para os jogadores de RPG não-contumazes), e os pobres coitados, que a mídia (e até nós RPGistas, eu inclusive, guiados pela mídia e numa tentativa de salvar nosso próprio habbo, er, hobby) malhou por um total de 3d12 de dano na reputação deles por ano, saíram finalmente livres, e agora querem, com toda razão, conseguir mais 1 ou 2 de Recursos processando o Ministério Público e cada um dos outros idiotas que os fez passar por isso.
Muito bem. Tudo está bem quando acaba bem, não é mesmo? Independentemente do fato de que a Mídia com certeza não vai se retratar, nem com eles e nem com os RPGistas, e do fato de que a família da pobre Aline ainda está triste porque não se achou o assassino ou (como indicam os desejos dos irmãos da garota) não conseguiu descontar o assassinato em alguém, por menos que tivesse a ver com o crime. Ou a mídia em geral já se desculpou, seja com os jovens, seja com os RPGistas? Supus que não.
Mas como minha Natureza é Excêntrico e meu Comportamento é Comediante, eu decidi aproveitar esse caso para rolar Inteligência + Escrita (Dificuldade 7) e ver quantos sucessos consigo descrevendo, nos bons termos de uma partida de RPG, como o delegado, a promotora e a mídia jogaram (ha-ha) com quatro vidas, três famílias, uma morte, e milhares de reputações. Isso também terá o efeito de mostrar como é feita de verdade uma partida de RPG de mesa, embora os jogadores normalmente interpretam personagens de alinhamento, natureza e comportamento bem melhores e mais valorosos (ou ao menos mais interessantes) que os dos personagens dessa partida específica – afinal, jogadores costumam interpretar poderosos magos ou valentes cavaleiros, ou mesmo interessantes piratas, e não delegados em frias precisando de um bode expiatório ou promotoras de competência duvidosa que não se dispõem a pesquisar sobre o crime que estão investigando (ou jornalistas idem). Enfim, vamos ao jogo.
Em uma tarde de domingo, numa sala com mesa, dados, fichas, livros e petiscos do gênero de miojo ou pão com mortadela, acompanhados de refrigerantes baratos, cinco nerds se reúnem em volta da mesa. O Mestre, Cláudio, se preparando para narrar a aventura e ver como a história reage ao que os jogadores se descrevem fazendo, dá a última conferida na aventura que passou a última semana preparando. Sorri de leve e fala.
- Gente, hoje vai ser uma aventura de uma só sessão. Vou colocar vocês para investigarem um assassinato.
- Nós não, os personagens – Diz Suzana, uma bela jogadora de longos cabelos negros, como se essa distinção precisasse ser feita para jogadores, que sabem perfeitamente bem dela.
- É, é, que seja – Diz Vítor, um nerd gordinho. – Todo mundo aqui sabe disso, Suzana, não é como se tivesse alguém lendo um texto sobre nós para quem você precisa explicar.
- Desculpa, de repente eu senti essa necessidade de dizer isso, como se não dizer isso fosse criar uma interpretação tosca de mídia que se transformasse numa verdadeira Caça às Bruxas…
- Ok, ok. Já tenho um personagem em mente, será um jornalista. Mestre, personagem tosco tá liberado? Quero fazer um jornalista marrom. – Diz Thiago, um nerd magro e com cara de gozador.
- Pode fazer, Thiago. Eu fiz a aventura podendo ou não ser séria, mesmo. – Diz Cláudio – Mas tem de ser de jornal grande, não tem muito tablóide ainda na época em que a campanha é ambientada.
- Ok. – E Thiago começa a fazer a ficha.
- Certo – fala Paulo, um nerd mais mediano, puxado pro fraco – Vou fazer um político evangélico oportunista então. Alberto Carlos Noites Duarte, vulgo “Albertinho Duarte”. O cara vai ser tão chato que vive pulando de partido porque ninguém suporta ele.
- Beleza, ainda bem que esse nome não se parece com o de nenhum político de verdade, não é mesmo? – Diz Suzana – Vou fazer uma promotora de justiça incompetente então. Vítor, passa a lapiseira aí? Obrigada.
- Ok – Diz Cláudio – Suzana e Paulo, os seus personagens vão ter de entrar mais tarde.
- Tudo bem.
- Certo.
Vítor sorri:
– Vou fazer um delegado evangélico fundamentalista. Acho que vou pôr uns crimes antigos dele que ele quer acobertar também.
- Ótimo. – Diz Cláudio, já planejando colocar o verdadeiro assassino da história do jogo envolvido com o personagem delegado de Vítor.
Mais ou menos uma hora depois, os jogadores já criaram seus personagens e Cláudio já fez as devidas modificações na história. Se sentam para começarem o jogo.
- Ok. – Diz Cláudio – Vítor, qual o nome do seu personagem?
- Adauto Cinta.
- Adauto Cinta? Por que não colocou Adauto Corr…
- CALA A BOCA!!! QUER QUE O AUTOR SEJA PROCESSADO??? – Ouve-se o berro de Suzana, do nada. Ela olha para o povo, tirando o celular da orelha – Er, desculpa aí, gente, tava no celular. Isso faz sentido em contexto, eu juro…
- Tudo bem… – Diz Cláudio, ligeiramente surpreso – Bom, Vítor, o seu personagem, Adauto, está pensando em como acobertar umas coisas recentes que ele fez, quando entra um policial que fala o seguinte: “Dotô, deu um problema aí numa república. Parece que o corpo de uma menina foi encontrado no cemitério. Os perito tá precisando de você lá, que você pediu a eles para avisar quando rolasse caso que pode dar ibope…”
- Beleza, vou lá. – Diz Vítor, indicando que o seu personagem vai lá.
- Ok. Você encontra os peritos e a menina, com um bocado de marcas de faca, jogada no meio do cemitério em posição fetal.
- Certo. Eu conheço os peritos? Podem ser os Aliados que pus na ficha?
- Podem, podem. Todos no seu bolso. Mas da próxima vez avisa que aliados quer quando fizer a ficha, e não durante o jogo.
- Beleza. Viro pro povo e falo: “Seguinte, vamos dar uma enfeitada nisso, que a corregedoria tá em cima de mim por conta de umas coisas aí. Me ajudem a colocar a menina em cima de uma lápide, como se fosse crucificada. Dou cem contos para cada um.”
- Ok, eles fizeram isso. Depois disso, os peritos te dizem que a menina é da República Cantata, pelo que descobriram.
- Beleza, vou lá. Recolho os depoimentos, e tal. Acho alguma coisa incomum?
- Bom… O normal. Pôster de filme, livros…
- Que livros?
- Faz diferença? – Suspira Cláudio – Ok, ok. Livros de RPG.
- Beleza! Vou botar no relatório que a menina foi morta em um “ritual de RPG” e chamar a mídia! Vou providenciar a prisão “preventiva” deles, enfim. Rolo um teste de Procedimentos Penais para dar um ferro neles e nas chances deles antes de eles poderem dar qualquer versão.
- Boa, boa. “Ritual de RPG” não existe, mas a mídia não vai pesquisar – Diz Cláudio – Vai se preocupar com os direitos deles?
- Não. Qualquer coisa eu confio na mídia para me colocar como um “Delegado que está fazendo a coisa certa independentemente das regras”.
- Ok. Rola aí.
- Ok. - Vítor joga alguns dados de dez (e não apenas seis) faces – Qual era a dificuldade? Sete? Beleza… Um, dois… Essa falha anula o outro sucesso… Três sucessos. Nada mau para cinco dados…
- Beleza. Rolou bem, seu personagem está fazendo de tudo para tornar um inferno a vida do povo da Cantata. Thiago, sua vez. Você tá na redação da Folha de Minas na cidade histórica de Prata Negra quando recebe uma ligação. Qual o nome do seu personagem?
- Marcos Rondon. Vulgo “Marrom”. Adivinha por quê.
- Ok. Bom, a ligação é de um policial civil, que diz que o Delegado Adauto tem uma notícia quente para você. Ele quer que você o encontre na delegacia em uma hora.
- Vou lá. Levo o notebook, claro.
- Beleza. Thiago, você chega na delegacia. Vítor está lá. Interpretem entre si.
O que se segue é uma rápida conversa entre os personagens de Vítor e Thiago. Essencialmente, o de Thiago, “Marrom”, pede todo tipo de detalhe macabro e inventa uns a mais para pedir, e o de Vítor, Adauto, fornece, dá corda e inventa mais coisas. Algum tempo depois, “Marrom” está com uma reportagem sensacionalista pronta para ser publicada, e Adauto está esperando o espetáculo que lhe tirará de frias e levando o caso adiante com erro e tudo.
- Ótimo – Diz Cláudio – Passou-se o tempo. Thiago, você publicou sua reportagem e um furor de mídia nasceu em cima disso. Vítor, você escapou da corregedoria, ninguém ia querer investigar um delegado em cruzada contra o que a mídia está chamando de “jogo do demônio”. Mas o promotor não aceitou o caso, Vítor. Quer mais perícias. O que você faz?
- Eu melo a imagem do promotor para a família da vítima e faço ela botar pressão para tirá-lo do caso.
- Beleza, testa aí. Manipulação + Lábia, dificuldade menor porque a família da vítima está emocionalmente envolvida nisso e confia na teoria tosca que você contou.
- Ok… – Vítor rola 4 dados – Dificuldade 5? Três sucessos.
- Sortudo. Ok, a família vai tirar o promotor de lá depois de uma semana ou duas. Estão fazendo mais alguma coisa ou posso pular?
- O de sempre – Diz Thiago – reportagens sensacionalistas sobre a matéria.
- Beleza. Passou-se o tempo. Suzana, sua personagem é chamada para entrar no caso. Qual o nome dela?
- Luiza Helena Trocinho.
- Pô, hoje vocês tiraram o dia para inventar nome esdrúxulo – Diz Cláudio – É estranho, minha mãe até estudou Direito com uma Luiza Helena Tró…
- Só coincidência, Cláudio – Disse Suzana, interrompendo Cláudio sem motivo aparente – Beleza. Minha personagem vai para Prata Negra, sim. Chegando lá, vai ouvir o que o delegado tem a dizer. Vou falar que pesquisei sobre o jogo para evitar que me questionem.
- Meu personagem fala para ela a mesma coisa que falou para a mídia – Diz Vítor.
- Beleza. Ela entra com o processo, cheio de erros como está, mesmo.
- Ok. Enquanto isso, Paulo, sua vez. Seu personagem tem como apelido “Albertinho Duarte”? Por que não colocar um mais comum, como Beti…
- Sei lá, cara, vai que um político de verdade com um apelido mais comum me processa depois, se essa partida um dia for descrita em um texto, por exemplo.
- Ninguém vai descrever isso num texto, Paulo, mas que seja. Seu personagem ficou sabendo das notícias sensacionalistas.
- Eu convoco uma coletiva para discutir o assunto como se fosse especialista nele, e tento obter a proibição do jogo em Belo Horizonte.
- Isso não é inconstitucional? – Diz Suzana.
- Pode ser, mas pode ser que passe assim mesmo, e se não passar eu ganho voto do mesmo jeito.
- Beleza – Diz Cláudio – Tudo bem.
A sessão continua por algumas horas. Chega a hora do clímax da aventura, quando a promotora interpretada por Suzana finalmente leva o caso a julgamento.
- Ok – Diz Cláudio – Agora o resultado vai ser decidido por rolagem de dados. Suzana, como sua personagem não tem evidência nenhuma do que diz e nem está acusando ninguém de nada específico, você tem de tirar três sucessos, dificuldade nove, para conseguir vencer o julgamento.
- Vejamos… – Diz Suzana – Inteligência dois, Direito um… Três dados.
- Você fez uma promotora com Direito UM? – Perguntou Cláudio.
- Eu disse que ela era incompetente. Você viu quando ela tentou proibir a circulação de certos livros, até eu sei que isso é inconstitucional. E… – Rola os dados – Zero sucessos.
- Beleza. Foram declarados inocentes por unanimidade.
- Eu jogo a culpa no delegado e falo que ele tem de ser investigado – Diz Suzana.
- Eu noticio o veredicto agindo como se não tivesse metido o pau no RPG esse tempo todo – Diz Thiago.
- Eu fico na surdina até achar outra causa sensacionalista que me dê votos – Diz Paulo.
- Pô, Suzana, você vai jogar a culpa no meu personagem? – Diz Vítor – Bom, é, tá certo que ele apelou. Que seja. Mestre, meu personagem vai ficar quieto até a poeira baixar.
- Beleza. Vítor, seu personagem vira bode expiatório por um tempo, mas se sai bem. Suzana, sua personagem leva uma bronca do Corregedor Geral do Ministério Público por causa do dinheiro da indenização. Paulo, seu personagem não foi mais eleito sem uma causa “célebre”. E Thiago, seu personagem arranjou outro bode expiatório para atacar. Quanto ao verdadeiro assassino, que tinha lá uns antecedentes como ser filho de deputado, esse saiu livre. Terminou a sessão, gente, gostaram? – Diz Cláudio.
- Sim – Diz Suzana – Ainda bem que isso não é real, pois, se fosse, nenhum RPGista gostaria…
- Fazer o quê, não sabia que o Adauto ali ia transformar livros de RPG em assunto de mídia no jogo, era um assassinato por drogas como outro qualquer. Enfim, até ia ser uma campanha séria, mas o jornalista “Marrom”, o delegado evangélico fundamentalista, a promotora de justiça incompetente e o político tosco transformaram a coisa num circo.
E terminou a sessão. Mas não se preocupem: Qualquer semelhança entre essa parábola a respeito da vida real e a vida real é mera coincidência. Mas, enfim. Acabou a vez do RPG estar na berlinda. Agora, os oportunistas de plantão escolherão outra coisa. Qual será a próxima? Só o tempo dirá. Talvez seja o seu hobby, leitor. Mas, talvez não. Boa sorte!
João Lucas é tradutor free-lance Inglês-Português e jogador de RPG. Caso queira comentar esse texto ou lhe arrumar serviços, o e-mail é joao_lucas_g_f@yahoo.com.br
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on Jul 10th, 2009 at 8:01 pm
Tão esquecendo do meu personagem correndo por fora pô. Estudei um pouquinho, pós graduado em Processo Penal e Penal, e Administração em Universidade Federal, complementando mais alguns cursos no Ministério Público e na Associação de Magistrados. Meu PCC ou Monografia, tratou-se exatamente de “Crimes Hediondos”, publicado no caderno de Jurisprudência de Tribunal. Com essa não contavam. Depois de longos anos na investigando crimes de Homicídios, tornei-me especialista em investigação de hediondos crimes. Mas o DotÔ, num quis nem saber, pois podia atrapaiá sua tramóias. Mesmo assim, correndo por fora, fui desvendando o misterioso “causu”. Pior, a cada passo, subia as “Ôtoridades”, que queriam tirar uma casquinha no estrelato, mídia “marrom, etc. Pur isso, só credito no STF, e STJ, pois pra baixo, minsifio, tá bravo. O martírio ainda continuará por pouco tempo, pois não prosperará alegar nulidades, pauta de jurados, etc. Já caiu no descrédito e vão apanhar mais e mais, até que a PF assuma, e passe o “rôdo”, nesses personagens estrêlas. Aê, meu cumpadi, o bicho vai pegá.
O jogo continua, já durou oito anos, tem uns que duram mais, e esse tende a ir para o “guinnes book”. Pelo menos em OP já bateu “record” em tempo de duração. Absurdos acontecem nessa pátria varonil salve, salve. Mas as pessoas de bem, tem sabido separar o “joio do trigo”. Derrubar apoio de Deus, nosso Pai, num tem Capeta que dá jeito.
Parabéns, pela vero semelhança João Lucas, nome de dois fortes profetas de Cristo. Chegaremos ao final com todos implicados na macabra armação contra quatro jovens inocentes, a pagarem por seus delitos, e quiçá, com o autor Fabrício, confessando o crime, para desespero das estrêlas.
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on Jul 11th, 2009 at 1:45 pm
[...] http://felipedeamorim.opsblog.org/2009/07/07/o-caso-de-ouro-preto-incompetencia-e-preconceito/ [...]
on Jul 11th, 2009 at 8:50 pm
“Contra eles pesavam diversas evidências ‘incriminadoras’: seus gostos musicais, cinematográficos, o jeito como se vestiam e seus hobbies.”
Só consigo ver preconceito nesse caso, que tem a ver as roupas? Sério, existe algum tipo definido de roupa de criminoso? Haha ridiculo.. Me fez pensar em um monte de hipóteses, e sinceramente, é triste ver que na realidade o assunto não foi resolvido.
[Reply]
on Jul 11th, 2009 at 10:12 pm
“Contra eles pesavam diversas evidências ‘incriminadoras’: seus gostos musicais, cinematográficos, o jeito como se vestiam e seus hobbies.”
Já pensou se a moda pega? Imaginem se a polícia começar a perseguir homens de paletó e gravata, aqueles com o estranho hobbie de falar em palanques?
Como diz aquela música: ” se gritar pega-ladrão, não fica 1, meu irmão.”
[Reply]
on Jul 13th, 2009 at 12:34 am
Muito bom o texto, fica os meus parábens( apesar de você não gostar de John Fante). Sou estudante de direito, quase formado, e esse caso é tão absurdo que chega até a doer. Em primeiro lugar, o delegado, que comandou um inquérito ridículo e descabido, em segundo lugar a promotora que ofereceu a denúncia, em terceiro lugar o juiz que recebeu a denúncia, em quarto lugar o tribunal que denegou dois habbeas corpus. Com essas provas não precisaria o processo chegar até o juri popular. Poderia ter sido trancado o inquérito, ter sido rejeitada a denúncia, ou então ocorrido a absolvição sumária. Realmente é um caso para se lamentar.
[Reply]
on Jul 13th, 2009 at 3:08 am
[...] O Caso de Ouro Preto - Incompetência e Preconceito - Felipe de Amorim [...]
on Jul 21st, 2009 at 1:24 am
É preciso dizer mais…
O Brasil é tão absurdo que chega a ser inacreditável!
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on Jul 31st, 2009 at 11:24 am
os jornais devem aos acusados o direito de resposta,
[Reply]
on Jul 31st, 2009 at 5:24 pm
E pior de tudo é ouvir as pessoas comentarem a respeito do veredicto do júri: o povo ainda reclama por eles terem sido absolvidos.. fala que no Brasil justica nao da em nada..
O povo nao consegue enxergar que os indiciados podem ser inocentes… chega a ser lamentável certos comentários..
Mas é assim, tão cruel quanto uma condenação criminal é a condenação sentenciada pela sociedade.
Abraço
[Reply]
on Aug 2nd, 2009 at 8:42 pm
É lamentável a forma como foi conduzido o Caso Aline_ a ausência de uma investigação rigorosa na busca de provas reais (detalhe: que por sinal foram encontradas no local do crime e não foram analisadas, como a blusa suja de esperma e as digitais na faca), permitiram à mente fértil do delegado da época, Adauto Corrêa, a entrar no Mundo da Imaginção para fantasiar a cena do crime, afirmando que o caso teria ligação com o jogo RPG (outro detalhe: se esse fosse um jogo “macabro”, como foi sugerido pela mídia, o RPG seria expressamente proíbido, principalmente em livros pedagógicos_ encontrado em várias edições publicadas no início dos anos 2000). Além do mais, o fato de o Fabrício Gomes nunca ter sido indiciado é algo bem suspeito, já que o mesmo foi visto várias vezes com Aline e mantia relações sexuais com a vítima como forma de pagamento da droga que a mesma usufruia. Enquanto isso, a tempestade marcava a história de Camila, Máicon, Cassiano e Edson, que mesmo sem nenhuma prova cabal contra eles, foram julgados como criminosos durante oito anos, não só pela promotoria, mas principalmente por toda a sociedade. Responderam em liberdade sim, mas que LIBERDADE? Eles não podiam mais andar em paz pelas ruas, eram vítimas de olhares esquivos, comentários enfadonhos, brindeiras dissaborosas, além de serem agredidos fisicamente e verbalmente na frente do fórum. Infelizmente, a incompetência investigativa alimentou a ignorância da sociedade, que alienada às notícias massacrantes dadas pela mídia, e através de seu PRÉconceito, julgaram como culpados os quatro por todo esse tempo, mesmo antes da justiça do homem dar a sentença final. “…Será que julgais pelo direito, ó filhos dos homens?” (Salmos 57,2). Levaram em consideração os hobbies, o estilo musical e de vestirem de Camila, Edson, Cassiano e Máicon… Não foi mesmo São João que disse: ” Vós julgais segundo a aparência; eu não julgo ninguém. (São João 8,15)”? A sociedade que é tão “perfeita”, deveria ter seguido os mandamentos do Filho do Pai: “Não julgais para não ser julgado”. Mas, graças a Deus, o pedido que a própria mãe da maior vítima desse caso (Aline Silvera) fez perante à mídia, durante o julgamento foi concretizado: “Que seja feita a justiça divina!”. E após os réus terem sido absolvidos por hunanimidade, a única cena extraordinária de toda essa tragédia fez não só os olhos das outras vítimas (Camila, Cassiano, Edson e Máicon) espalharem cachoeiras, mas de todos que assistiram os quatro dando as mãos e rezendo o Pai Nosso_ é como se eles quizessem expressar o alívio e agradecer ao Pai o resgate do sol em suas vidas. Mas, agora é hora de pensar nos danos morais, pessoais e psicologicos a que sofreram esses jovens… Na improcedência dessa ação penal… Na busca e condenação do real culpado… E claro, no erro do Ministério Público Mineiro ao efetivar a prisão “descabida” (assim denominada pelo Tribunal de Justiça, na época) de Camila Dolabella e Edson Polonni.
Portanto, ficam aqui marcas as palavras do desabafo que tanto incomodavam a minha garganta.
Obrigada, Filipe de Amorim, pelo explendoroso artigo!
Abraços!
[Reply]
on Aug 14th, 2009 at 1:10 pm
verifica-se que o texto não foi escrito por uma pessoa leiga em assunto de direito,o que não comsegui compreender é por que se levou 08 (oito) anos para que esse texto que seria de extrema relevância para a defesa ser levado á tona,´pois houve muito sofrimento, principalmente por parte de Camila que além de sofrer prisão vive, até hoje o preconceito da família e passou por muitas dificuldades financeiras para correr atras de sua defesa.
é importante para a visualização da justiça que existem vários profissionais que não levam em consideração o que prescreve a Lei e doutrinas no sentido da análise da provas materiais que são primordiais neste tipo de investigação, e que podem levar a o que justamente seria o contrário do objetivo de nossa justiça, que é a aplicação de injustiça.
[Reply]