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A História do Príncipe Encantado

Era uma vez um príncipe encantado. Ele era encantado porque em sua mãe não era uma mãe normal… ela era uma fada e por isso o princípe, desde quando era só um principezinho, era muito mais bonito que os outros príncipes, tinha cabelo de cor diferente da dos outros príncipes, e era mais rápido, valente e forte que os outros príncipes.

Mas nada disso deixava o príncipe contente. Muito pelo contrário, o príncipe achava que todo mundo invejava ele e por isso ele vivia sozinho e sem amigos. Até que um dia, já crescido, alto e forte, o príncipe decidiu que deveria achar uma boa esposa que pudesse lhe fazer companhia e em quem pudesse confiar. Mas, como ele era um príncipe encantado, ele não podia casar com uma mulher qualquer. Tinha que ser a mais bela, mais graciosa mulher de todos os reinos, um prêmio digno do príncipe encantado e cuja conquista envolvesse desafios que tornassem ainda mais valorosa sua vitória.

O príncipe então viajou e viajou pelo mundo. Ele visitou terras frias e desertos quentes, cidades nos altos das montanhas e abaixo do nível do mar. Nenhuma princesa que ele encontrava era bonita o suficiente e, quando eram, se mostravam logo apaixonadas pelo príncipe e não valiam a pena ser conquistadas. Mas então o príncipe ouviu falar de uma princesa diferente das demais: uma menina tão linda que nenhum exagero era grande o suficiente para fazer justiça à sua beleza, de cabelos dourados e brilhantes como novelos feitos de raios de sol, feições suaves e delicadas como ade uma pintura, mas que vivia presa em um castelo além do tempo, onde todos dormiam sob o efeito de um poderoso feitiço há centenas de anos. Fascinado coma história e com a descrição dos encantos da bela princesa adormecida, o príncipe encantado partiu para o castelo amaldiçoado. Lá ele descobriu que a princesa e a família real, todos os cortesãos e os animais na floresta próxima dormiam profundamente, intocados pelo tempo graças à proteção de uma fada que queria preservá-los de um terrível feitiço. O princípe encantado não se importou com a história e atacou a tal fada que guardava o castelo. Ela virou um espinheiro para tentar afastá-lo, mas o príncipe cortou pelos ramos sem nem sentir uma picada dos espinhos. Daí ela virou um poderoso dragão para convencer o príncipe a fugir. Mas ele matou o dragão, e entrou no castelo banhado em seu sangue. Lá ele encontrou uma jovem de beleza sem igual, a mais bonita que já tinha visto, dormindo profundamente em uma vasta cama. Sem nem esperar que ela acordasse, o princípe a segurou nos braços e beijou seus lábios, fazendo com que a princesinha despertasse assustada de seu sono de séculos. O príncipe sorriu e avisou que ela estava salvo, e iria morar com ele em seu castelo.

Porém, os anos passaram, e a bela princesa adormecida desapontou o princípe encantado. Ele então ouviu falar de uma outra princesa, de cabelos negros como a noite avançada, e pele branca como a neve das mais altas montanhas. Essa princesa também dormia, vítima do encanto de uma rainha fada que sentira inveja do fato de que era a princesinha mortal, enão ela, o mais belo dos seres que viviam. Mas não era em um castelo que a princesa branca como a neve descansava, mas sim no centro de uma floresta mágica, protegida por espíritos da terra que a guardavam de novos ataques da criel rainha fada. Determinado a conhecer tamanha beleza, que superava os encantos das próprias fadas e de sua primeira esposa, o príncipe rumou para a floresta dos duendes, onde a encontrou envolta em um belo caixão de cristal. Os duendes protestaram que a princesa tinha um contrato com eles, prometendo fazer serviços domésticos em troca de abrigo, e portanto seu corpo adormecido também lhes pertencia. Mas o príncipe logo resolveu o assunto com um dois, três, até sete golpes bem aplicados de sua fiel espada e tomou para si o caixão da princesa branca como a neve. Ao erguer o pesado invólucro, porém, o príncipe fez com que o corpo adormecido da princesinha se mexesse, liberando o pedaço de maçã envenenada que estava alojado em sua garganta e a impedia de respirar. Recuperando o folêgo e a consciência, a princesa branca como a neve olhou confusa para o príncipe e para os corpos mortos de seus guardiões anteriores espalhados para o chão. Mas o príncipe falou para ela não se preocupar pois ela estava segura e iria morar com ele em seu castelo. E a beijou.

Porém, os anos passaram e a princesa branca como a neve desapontou o princípe encantado. Ele então decidiu que estava cansado de procurar princesas e, ao invés disso, organizaria um grande baile para trazer até ele as maiores belezas de todos os reinos do mundo. O príncipe encantado enviou seus mensageiros pelas terras próximas e além, pelo mar e pelo ar, por todas as estradas e caminhos, até que todo mundo em todo lugar sabia da grande festa do príncipe e sua busca por uma nova esposa para um dia reinar ao seu lado em seu reino encantado. Mas quem ficou mais interessada na história foi uma pobre princesinha, que tinha perdido pai e mãe e toda fortuna, e vivia agora com a madrasta e as meia-irmãs, tendo que ajudar nos trabalhos de casa pois não podia mais pagar serviçais. Toda suja com as cinzas da lareira, a bela princesa borralheira decidiu que conquistaria a qualquer preço o coração do príncipe encantado. Na noite do baile, enquanto suas irmãs se arrumavam o melhor que podia e partiam para tentar a sorte, a princesa borralheira ficou para trás e invocou a ajuda de uma fada, que a vestiu com ilusões de fada, realçou suas feições com ilusões de fada e pôs em seus pézinhos delicados dois sapatinhos de cristal que eram a única coisa real na arrumação inteira. A princesa borralheira partiu então para o baile e, lá chegando, logo conquistou o coração do príncipe encantado, que não quis mais saber de nenhuma outra mulher e dançou com ela a noite inteira. Mas, chegada a meia-noite, os feitiços da fada foram desaparecendo. Seu vestido começou a se soltar, seu cabelo fugia das tranças que prendiam o belo penteado, e as maracs de borralho começavam a se tornar visíveis por debaixo das unhas. A princesa fugiu em pânico, enganada pelo truque malicioso da fada e deixando para trás apenas um sapatinho de cristal. O princípe, intrigado, apaixonado e descontente, decidiu então que descobriria quem era aquela bela moça e a tornaria sua esposa. Envou seus agentes e soldados por todos os reinos, entrevistou princesas de todas as partes e obrigou mulheres de todos lugares e idades, jeitos e trejeitos a vestirem o sapatinho de cristal. Estava tão enlevado de amor, o pobre príncipe, que chegava até a ordenar que arrancassem os dedinhos das mocinhas que se recusavam a usar o sapatinho. Até que, finalmente, o príncipe descobriu a casa da princesa borralheira e, embora ela se fizesse de tímida e desentendida, eis que o sapatinho de cristal coubera perfeitamente em seu pezinho. E o príncipe anunciou feliz que ela não iria mais viver naquelas condições pobres e iria morar em seu castelo.

Porém, os anos passaram e a princesa borralheira desapontou o príncipe encantado. Agora ele já era homem maduro, de barba crescida e sentindo o peso da idade. Não se sentia mais disposto a caçar aventuras ou se esforçar muito para encontrar uma princesa para desposar. Concordou em casar com uma jovem nobre de uma família de terras próximas. Mas, depois do caso da princesa borralheira, que tinha usado mágica para fazê-lo se apaixonar, e depois tê-lo decepcionado, o príncipe decidiu que sua próxima esposa teria que passar por um teste de confiança. O príncipe encantado avisou então sua jovem esposa de que ele partiria para uma longa viagem e deixaria com ela o molho de chaves para abrir as portas de seu castelo. Ela poderia abrir e visitar todas as dependências da enorme casa, exceto um único quartinho, que ficava no porão, depois de uma escada estreita e mal-iluminada, passando pelo depósito de lixo e pela fossa. A jovem princesinha concordou e prometeu ser obediente, mas a curiosidade era demais! Logo no primeiro dia sozinha, suspeitando dos segredos do seu marido, a princesinha desceu a escada estreita e mal-iluminada, atravessou o depósito de lixo e a fossa e chegou ao quartinho no porão. Usando sua chavinha, ela abriu a porta e quase desmaiou de horror… na sala de torturas, manchada de sangue e recheada de aparelhos cheios de correntes, tornos, grilhões, lâminas e espetos, havia também os corpos das três princesas que o antecederam: a bela adormecida, a branca como a neve e a borralheira, despedaçados, deformados e destruídos pela fúria do príncipe. Tremendo, a jovem princesa se preparou para fugir, mas logo atrás de si estava o príncipe encantado, espada em punho, com sua vasta barba azul emoldurando os olhos brilhantes de malícia…

E, depois daquela noite, ela nunca mais desobedeceu. E, como com as outras, eles foram felizes para sempre.

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5 Comments on “A História do Príncipe Encantado”

  1. #1 Lívia Leão
    on Oct 18th, 2009 at 1:28 am

    Medo. Muito medo…

    [Reply]

  2. #2 Caminhante
    on Nov 3rd, 2009 at 9:07 am

    Que medo! Não esperava esse final!

    [Reply]

  3. #3 Lilica
    on Dec 17th, 2009 at 2:33 pm

    Que final é esse? Tudo bem um príncipe com várias princesas em seu passado… afinal hj acontece… mas daí matar todas… ui… “que medo! Não esperava esse final!” 2

    [Reply]

  4. #4 Felipe
    on Dec 19th, 2009 at 10:21 am

    Você precisa ler mais contos de fada, Lilica.

    Daí vai sacar quem o Príncipe Encantado é. E entender a piada.

    [Reply]

  5. #5 nathalia
    on Mar 14th, 2010 at 10:24 pm

    barba azul?

    [Reply]

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